Desde 2005, empresas podem adotar uma escola estadual. De 2009 para 2010, o número de parcerias aumentou 40%, segundo a Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE). Atualmente, em 96 escolas estaduais com apoio da iniciativa privada, estudam 85,7 mil alunos, ou 1,7% dos cerca de 5 milhões de estudantes da rede.
O que regula as parcerias de empresas com escolas estaduais é uma resolução de 2005 que criou o projeto Empresa Educadora.
Por meio dela, é possível investir em reformas de instalações do colégio e na capacitação de profissionais. Mas é proibido contratar professores substitutos ou para aulas de reforço. Definidos os custos do projeto, o dinheiro é repassado à Associação de Pais e Mestres (APMs) do colégio, que tem a obrigação de dar publicidade à parceria – algo que nem sempre ocorre.
“Esse tipo de intervenção faz bem para a empresa e indica posturas civilizadas e socialmente responsáveis, mas pouco ou nada influencia no desempenho dos alunos. Isto requer medidas em escala que só o poder público pode tomar.”, diz Theresa Adrião, da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
No Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) do ano passado, escolas estaduais “adotadas” pela iniciativa privada tiveram desempenho parecido com as que não contam com esse apoio. O levantamento feito indica que a nota média das 23 escolas com parcerias vigentes em 2009, foi só 0,9% maior do que a pontuação média no Enem das outras 2.833 unidades da rede estadual – sem contar colégios técnicos.
Em entrevista ao Jornal folha de São Paulo Itamar Aparecido Pereira, vice-diretor da Escola Estadual Orestes Guimarães, localizada no Canindé e adotada por uma construtora desde 2008, a qual teve o pior desempenho no Enem entre os que têm ajuda privada na capital. Pereira explica que a falta de professor de matemática no 3º ano do ensino médio foi o que mais afetou o desempenho dos estudantes no exame de 2009. “Foram quatro, cinco meses sem professor de matemática, de 28 de abril até o fim de setembro”, afirma, defendendo que principal problema foi falta de docentes.
“A parceria abriu um novo espaço pedagógico e fez coisas que o Estado não tinha feito. Não teríamos condições de bancar de R$ 800 a R$ 1 mil de xerox por mês nem de gastar R$ 40 mil para fazer o novo espaço pedagógico. O problema é a falta de professores. E a parceria não tem como contratar substitutos”, afirma Pereira.
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